Diário do Alentejo

“O júri gostou do conceito, muito abrangente, em que interagem construtores, músicos, poetas, pintores, alunos e população em geral”

14 de dezembro 2023 - 14:00
Três Perguntas a José António Cardoso, construtor de cordofones

A propósito da nomeação da oficina de instrumentos musicais de corda de fabrico artesanal Luthier Cardoso, localizada em Trindade (Beja) para o Prémio Nacional de Artesanato, na categoria de “Empreendedorismo e inovação” o “Diário do Alentejo” conversou com um dos responsáveis pelo ateliê, José António Cardoso, sobre a importância desta nomeação, as características distintivas dos instrumentos produzidos na Luthier Cardoso, bem como a sua ambição quanto ao desfecho do concurso.

 

Texto | José Serrano

 

O Luthier Cardoso, oficina de instrumentos musicais de corda de fabrico artesanal localizada em Trindade (Beja), foi nomeado para o Prémio Nacional do Artesanato na categoria de “Empreendedorismo e inovação”. Qual a importância desta nomeação?

Este prémio destina-se a projetos e ações de reconhecido valor a nível nacional e/ou internacional, quer no artesanato tradicional, bem como no contemporâneo. Por isso, só o facto de termos sido nomeados é, desde logo, o reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver a partir da nossa oficina, na Trindade.

 

Quais as características distintivas dos instrumentos produzidos no Luthier Cardoso que permitiram esta distinção?

O júri elegeu para finalistas [cinco] projetos muito abrangentes, que apresentassem algo de novo e de empreendedor. No nosso caso, o grau de excelência foi conferido às oito peças que foram sujeitas a avaliação – violas campaniças, braguesa e de fado, violão de sete cordas, guitarras clássica portuguesa de Coimbra e de Lisboa. Todos estes instrumentos têm uma determinada particularidade que os distingue de todos os outros. Por exemplo, uma das campaniças tem duas bocas laterais. O júri teve também em conta a importância que damos à partilha do conhecimento – é exemplo disso a recente publicação de um livro sobre a construção de instrumentos, obra pioneira em Portugal. Também a nossa disponibilidade para o serviço público prestado à comunidade deve ter pesado na decisão – recebemos com frequência alunos, turistas, utentes de lares, comunicação social, etc… Finalmente, o cuidado que nos merece a formação e a divulgação deste ofício, através do projeto “Artes & ofícios – cumplicidades”, cujo conceito se relaciona com a interação de artistas, por nós convidados, em torno da temática da construção de instrumentos de corda.

 

A nomeação a concurso é já um facto. Agora, é para ganhar?

Porque tive conhecimento do historial dos outros quatro nomeados, sei que os mesmos têm, também, projetos bem interessantes, que vão desde o trabalhar o ferro de forma artística, em Tondela, até aos bordados de Castelo Branco. Contudo, parece-nos que o nosso projeto, que não se limita só à construção de instrumentos, é o mais completo. O júri gostou do conceito, muito abrangente, em que interagem construtores, músicos, poetas, pintores, alunos e população em geral. Por isso conseguimos a aprovação dos elementos integrantes do júri. Agora é a vez de o público votar on line. A todos os que nos acompanham e apreciam o nosso trabalho, contamos com o vosso voto, até ao dia 18 de dezembro, em https://formularios.iefp.pt/index.php/868488?lang=pt.

 

 

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